O Museu
História
A ideia de um museu no Porto dedicado ao tema dos transportes surge logo nos anos de 1980. Neste período, e desde os anos de 1960, a rede de tração elétrica testemunhava uma mudança profunda provocada pela introdução dos autocarros e a massificação do uso do automóvel. O Serviço de Transportes Coletivos do Porto (STCP), operava então três modalidades de transporte, com uma rede que abrangia toda a área metropolitana do Porto, em modo carro elétrico, modo autocarro e troleicarro.
Foi, contudo, a substituição do carro elétrico pelos outros dois modos de transporte que proporcionou a desativação de parte da frota e desencadeou um processo de preservação de veículos representativos da sua história.
Esta coleção de veículos, recuperada ainda nas Oficinas Gerais do Serviço de Transportes Colectivos do Porto, necessitava de um espaço para a sua exposição, e é neste contexto que a antiga Central Termoelétrica de Massarelos ganha um novo relevo. O edifício, outrora dedicado à produção de eletricidade estava, a partir dos anos de 1960, reduzido ao papel de Subestação de apoio à rede de tração elétrica. Aí funcionava também uma pequena oficina de apoio à Linha da Marginal, a primeira a surgir e a mais relevante pela sua extensão e localização geográfica.
Os espaços desativados ao longo dos anos permitem, assim, reconverter parte do edifício da central num espaço museográfico alusivo à rede e à cidade com um dos seus primeiros meios de transporte coletivos de pessoas.
A 18 de maio de 1992, é então inaugurado o Museu do Carro Eléctrico com uma coleção de veículos inteiramente recuperados à sua traça original. Gradualmente novos veículos foram também preservados, trazendo para a contemporaneidade diferentes tipologias de carros elétricos, marcantes pelo seu desenvolvimento tecnológico e pelo papel que desempenharam na cidade. Assim nasceu a coleção do museu constituída atualmente por 28 veículos, únicos na história do carro elétrico.
O Edifício – Central Termoelétrica de Massarelos
A instalação da rede de tração elétrica na cidade, de apoio ao surgimento do carro elétrico a partir de 1895, obrigava à existência de infraestruturas de apoio. Se inicialmente a Companhia Carris de Ferro do Porto se valia da antiga Central da Arrábida, rapidamente, com o alastrar da extensão do carro elétrico e o aumento da frota, esta se mostrou insuficiente para garantir o abastecimento elétrico necessário.
Mais à frente, na orla ribeirinha, a Companhia utiliza os seus terrenos para edificar uma nova central geradora. Do projeto do Eng. Luís Couto dos Santos, engenheiro civil de Obras Públicas, formado pela Real Academia Politécnica do Porto, nasce a Central Termoelétrica de Massarelos.
O edifício, inspirado nas estruturas fabris francesas, contava com duas naves centrais dedicadas à produção e uma chaminé essencial para a evacuação dos gases resultantes da combustão do carvão.
À custa do carvão proveniente das Minas de S. Pedro da Cova, eram alimentadas as máquinas a vapor responsáveis pela geração de energia mecânica necessária ao funcionamento dos motores. A água era captada diretamente do rio Douro, um fator que, ainda hoje, reforça a presença incontornável do edifício e da sua localização.
Concluído o edifício em 1911, Professor da então Real Academia de Ciências, a Central Termoelétrica de Massarelos, é inaugurado e entrou em pleno funcionamento em 1915 com o objetivo de produzir e transformar a energia necessária ao funcionamento da rede de carros elétricos da cidade. A sua capacidade de abastecimento energético foi capaz de eletrificar parte dos arruamentos da cidade e a Ponte Luiz I, nos seus tempos áureos.
Quando a rede de tração elétrica, suportada por um sistema de apoio com a Central Geradora e Subestações espalhadas pela cidade, atinge o seu auge nos anos de 1950, a capacidade de produção era frequentemente comprometida por dificuldades técnicas. Com paragens frequentes, a partir de 1955 a sua função produtora dá lugar a uma nova etapa de abastecimento de energia, através da União Eléctrica Portuguesa. Inevitavelmente o edifício vê-se reduzido à função de subestação transformadora em 1960, os grandes geradores e caldeiras são desativados e desmontados, e parte dos seus espaços ficam vazios.
Coleções
O Museu do Carro Eléctrico preserva a história e o desenvolvimento dos transportes coletivos urbanos sobre carris na cidade do Porto, desde 1871 até à década de 1950. A sua criação resultou da vontade da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto em salvaguardar a memória dos transportes públicos da cidade.
Para além de um conjunto representativo de veículos, o Museu integra artefactos de igual relevância histórica, como equipamentos técnicos, uniformes, títulos de transporte e documentação iconográfica. O acervo inclui ainda peças anteriores e posteriores a este período que, pela sua importância histórica ou documental, contribuem para a compreensão da evolução deste meio de transporte.
A coleção encontra-se organizada em cinco conjuntos, de acordo com a Política de Gestão de Coleções.
As normas e procedimentos pelas quais se regem as ações de conservação das coleções à salvaguarda do museu guiam-se pela Política de Conservação.
Quem Somos
Missão
Preservar, conservar e interpretar, em benefício do público, espécies e artefactos ilustrativos e representativos da história e desenvolvimento dos transportes públicos urbanos sobre carris da cidade do Porto. Através da investigação e da exposição das suas coleções, da organização de exposições e programas de índole cultural, o Museu do Carro Eléctrico proporciona aos seus públicos a oportunidade de aprender, experimentar e conhecer de perto a história, o desenvolvimento e o impacto socioeconómico dos transportes públicos sobre carris da cidade do Porto.
Visão
Ser um espaço aberto a todos, onde se pense o passado, presente e futuro dos transportes, da mobilidade urbana e das cidades, em especial da cidade do Porto, de forma crítica, criativa e sustentável.
Valores
- Respeito pela pessoa
- Cooperação e trabalho em rede
- Compromisso com a comunidade local
- Educação, integração e inclusão
- Justiça social
- Pensamento contemporâneo sobre os transportes e as cidades
- Compromisso com a Sustentabilidade
- Criatividade
Regulamento Interno
O Museu do Carro Eléctrico rege-se por um Regulamento, que pode consultar aqui ↵